16 de junho de 2008

Lágrimas de super-bonder

Ela tocou a campainha. Os olhos vermelhos condenavam que tinha chorado, mas ele tinha que entender. Ninguém atendeu. Pensou em ir embora, pensou que até fosse um sinal, mas não acreditava nisso. Na verdade, ultimamente ela deixara de acreditar em muitas coisas. Só tinha a certeza de que não deixara de acreditar no que sentia, mesmo sabendo que isso deveria ser o melhor a se fazer. Decidiu ir embora, desceu uns dois andares de escada e parou. Ela não podia desistir agora... Ele tinha que entender. Voltou e tocou novamente a campainha. Esperou e a porta se abriu. Quando o viu ali, parado em sua frente, não sabia o que fazer. Até tentou sussurrar algumas poucas palavrinhas, mas elas não passavam pela garganta seca. Por um instante passou por sua cabeça beijá-lo, chegar bem perto e sentir seu cheiro, como sempre fazia... Só que seria tudo muito clichê e ela sabia o quanto ele odiava os clichês. E então, num gesto simples estendeu na direção dele um objeto vermelho, cheio de rachaduras, que parecia ter sido quebrado e depois colado com super-bonder.
-Toma. É todo teu!

Um comentário:

Iriê disse...
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