20 de maio de 2008

20 mg de verdade!

A verdade é que eu sei de cor todas as suas 26 mensagens... E todos os dias tento lembrar de como era bom o começo de abril. De como era bom ter você presente, em cada momento, em cada plano, pensamento ou ação. De como era bom poder acordar sabendo que o dia ia ser cheio de você. E é incrível como a saudade realmente sufoca. Sinto saudade até quando sinto cheiro de café e de vez em quando sinto seu cheiro até no elevador. Lembro de cada olhar... O de sinceridade, o de sarcasmo, o de sono, o de graça, o de angústia, o de raiva, o de tédio e até o de "queria mesmo te ver". Lembro das brincadeiras, das risadas, do quanto eu ficava feliz com a sua piada mais boba, previsível e repetida. Das visitas em dia de sol e até em dia de chuva. Você havia virado a tal "pessoa que a gente procura e quando menos espera, acha". Em meio a tanta confusão, mentiras, você virou minha verdade. Não só meu apoio, virou meu amigo. Amigo de sorvete, de chocolate, de Two and a Half Man. Amigo de beijar na boca, de fazer cafuné, de sonhar, de passar o fim-de-semana. E de amigo, virou amor... Amor misturado com desejo, pele, cheiro, inteligência, músicas, filmes, carinho. Mas nesse vira-vira, uma hora você virou. De repente, não tinham mais mensagens, não tinha mais procura e acabou sumindo a vontade, o gostar de mim... E entre sumiços e aparecimentos, não dá pra se competir.
Talvez toda essa história seja complicada demais pra você querer entender. E seja mais fácil acreditar que não vai dar certo. Talvez o erro começou por mim e passou pra você e voltou pra mim e passou pra você... E acabe em alguém. Só quero que você saiba que por mais que eu queira que tudo isso acabe, não acabou. E não minto: sinto raiva do quanto as coisas parecem simples pra você... Ou vai ver, sempre foram. Não digo que preciso de você pra viver, porque não é assim também. Mas digo que com você, tudo seria melhor, bem melhor. Vou esperar! Talvez, involuntariamente, tudo isso mude e eu pare de (querer) chorar.
Mas ninguém... Ninguém sabe a falta que você me faz! E ninguém sabe o quanto eu te quis só pra mim.



quem sabe um dia você leia isso... (:

9 de maio de 2008

Por entre malas-diretas...

Mais um dia normal. Trabalho, trabalho, cansaço! Abriu o portão de casa e viu a correspondência jogada no jardim. Pensou em nem pegar, podia fazer isso amanhã! Ele já sabia que eram contas, folhetos de supermercado, malas-diretas e aquela inutilidade de sempre. Mas decidiu dar uma olhada e valeu a pena. Ao pegar a correspondência, além do habitual havia uma carta. Abriu o envelope com muito cuidado, um pouco de medo, mas bem lá no fundo sentiu que poderia ser um belo refúgio depois de mais um dia tão comum. Era uma única folha... Colocou os olhos sobre aquela letrinha toda redondinha e tão bem feita que dava vontade de roubar pra si. Leu cada palavra cuidadosamente... E então começou a sorrir. Em suas palavras, ela dizia que passara a acreditar nele e que daria mais uma chance pra que fossem felizes, porque tudo que mais desejava era que tudo pudesse voltar ao normal. As mensagens no celular antes de dormir, os filmes, as brincadeiras, os sorrisos, o suéter cheiroso...
Dobrou o papel, guardou na carteira e jogou todo o resto da correspondência no chão. Não era hora para contas, para promoções e muito menos cartões de crédito... Era hora de fazer daquele dia um dia diferente! E abrindo o portão ele disse:
- Eu também.

14 de abril de 2008

Açúcar ou adoçante?

Já dizia Renato Russo: "e hoje em dia, como é que se diz: eu te amo?"
Às vezes realmente fico pensando sobre isso... Será que sou uma exceção no mundo? Mas não vejo motivo das pessoas se orgulharem de se conhecerem e logo no primeiro olhar dizerem: eu te amo! Tá, hoje em dia algumas pessoas têm usado o "te amo" como arma de sedução... Diz que ama ali, diz que ama aqui e, pronto, pensa que tá no papo. Outras vezes o "te amo" vira brincadeira, diz pra agradar, diz pra não deixar o outro, vulgo "muito sentimentalizado", com vergonha de ser o único amando na relação.
E daí você conhece aquela pessoa especial, calça seu número, tem toda a imperfeição misturada com perfeição. Vocês saem. Momentos perfeitos, sorrisos e na despedida aparece um: já te amo. Ok! Não sei você, mas isso pra mim é brochante. Pelo amor de Deus, onde fica a parte que ele te conhece o suficiente pra dizer isso? Ah, você me ama? Então tá, como eu acordo? De bom humor ou querendo matar o primeiro que passar na minha frente? Como eu gosto do leite? Com nata ou sem? Eu gosto de sertanejo, funk, salsa? E se eu gostar, você vai me "amar" mesmo assim? E se meu filme preferido for o Titanic? Você vai vê-lo comigo sessenta vezes? E vai enxugar todas as lágrimas no final? E no dia que eu estiver nervosa, você vai virar a cara pra mim? E quando eu precisar, vai estar ao meu lado?
Esse é o risco. Dizer, mas no fundo não entender o que vem acompanhando esse "te amo". Amar de verdade é se emprestar um termômetro mesmo quando se está brigado. É querer defender, é conhecer, não tudo da pessoa (claro, porque isso nem nós mesmos sabemos), mas pelo menos saber se é açúçar ou adoçante, se é laranja ou melancia. É sentir diferença na voz ao telefone, é sentir ciúmes (sim!), é sentir saudades (o suficiente pra imaginar o que o outro está fazendo no exato momento!)... Amar de verdade não começa com um "amo você" logo de primeira. É preciso construção, não uma saidinha, um fim-de-semana... Amar de verdade começa com o respeito pela palavra amor!
E agora, Renato: quem vai nos salvar?

4 de abril de 2008

Bonequinha de boas-vindas

Já era uma da tarde e nada de Yasmin voltar para casa. A mãe já havia ligado na escola e disseram que ela já havia ido embora. Onde tinha ido parar aquela menina dos cabelos de chocolate? Então lá pras duas horas, a porta se abriu e entrou uma pequena criança de cabeça baixa.
-Meu Deus, onde você estava, Yasmin?
Ao levantar o rosto, Lúcia percebeu então a expressão triste no rosto da filha. E viu que havia começado a deixa-la com medo.
-Vem cá, minha linda. Senta no colo da mamãe e me conta o que te aconteceu.
Yasmin colocou a mochila ao lado do sofá e calmamente se sentou. Encostou-se no ombro da mãe, que já não entendia mais nada. Ficaram lá, mudas, durantes uns três minutos. Até então, que a menina decidiu falar:
-Desculpa mamãe. - disse em tom de choro.
-Desculpa por que?
-Por ter me atrasado para o almoço que a senhora preparou com tanto carinho.
-Oh, minha filha. Você me deixou preocupada. Onde você foi depois da aula?
Com as pequenas mãozinhas ela limpou algumas lagrimas que caiam, respirou bem fundo e começou a contar...
-Depois da aula, eu e a Bia viemos embora juntas. Só que no meio do caminho, a boneca de louça que a vovózinha dela tinha dado de presente, caiu no chão e quebrou.
-E você ficou ajudando ela a consertar?
-Não mamãe... Eu não sabia como consertar a bonequinha. Eu fiquei lá foi pra chorar com ela.


ê, bem-viiiinda, camilla :)