6 de outubro de 2008

Morar-te


Soundtrack: Goo Goo Dolls - Iris

Hoje o sentimentolices deixa de lado suas tolices e se enche de sentimento puro e verdadeiro. Hoje e não só hoje, as lágrimas caem sobre meu rosto e, ainda que incessantemente, não me lavam. Hoje não se fazem personagens, não se caem máscaras, não se bastam finais felizes. E quem dera se como nos textos desse blog, na vida também bastasse escrever. Escrever eu faço bem, escrever é fácil. Juntar palavras sobre o que as pessoas gostam de ler é simples, tá na alma. Mas na vida não é assim. Na vida é mistura! Sentimento, vontade, derrota, sonho, tudo isso pra se viver.
Uma coisa que nunca fiz bem é esquecer. Assim como acho que esses textos daqui os tocam daí, as coisas do mundo facilmente passam a fazer parte de mim e neste exato momento, mesmo com tanto conhecimento, com uma vida em que não há do que se reclamar, me sinto só. Faz tempo que não me sinto assim. Acho que a ultima vez foi quando minha mãe saiu no meio da tarde e eu dormi ajoelhada na beirada da cama, esperando ela voltar. Quando acordei, ainda ajoelhada, a casa estava escura e eu achei que tinha passado dias ali dormindo. Achei que tinha ficado sozinha! Mas alguns minutos depois minha mãe saiu do meio da escuridão dizendo que não teve coragem de me acordar. Ela voltou. Mas nem sempre os outros voltam.
Nessa história que aqui conto hoje o verbo de entrada é o "tornar-se". É não imaginar que as coisas chegam a tomar tão grande tamanho, não imaginar que, ao mesmo tempo, você se torna totalmente diferente pro outro. Assim como a folha "torna-se" seca, o "tornar-se" é impossível de impedir. E no final, só existe um culpado e o nome dele é tempo. O tempo que passou rápido demais, o tempo que faltou, o tempo que deixou a saudade.
Hoje me sinto mais parte desse blog, minhas palavras não me abandonam. Hoje reconheço que ver alguém, não é só olhar! Hoje reconheço o poder da palavra: passado. Mas não reconheço ainda o "tudo passa"...
Pra você, não é necessário enrolação, por isso termino com o verbo do final de toda essa história de hoje (e se posso dizer, de sempre): amar. Amar você, o suficiente por nós dois...

4 comentários:

Iriê disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Faroeste Caboclo disse...

Gostei do texto e resolvi ler todos os outros...
Você escreve muito bem, meus parabéns!
Estarei sempre por aqui!

Spinelli disse...

Escrever eu faço bem

Hoje me sinto só
Como nunca me senti
Como no dia em que minha mãe partiu
Como no dia em que ela voltou
Como no dia em que descobri
Que nem sempre os outros voltam

Tornar-se é o verbo
Tornar-se importante
Tornar-se ninguém
Tornar-se folha seca
Pisada com desdém
Impossível de impedir

Amar é o fim
Amar é o suficiente
Impossível ser pelos dois

Escrever eu faço bem
O que não faço bem é esquecer

' Jéssicα disse...

Precisa escrever tão bonito assim ?
quase num chorei .

'uma coisa que nunca fiz bem é esquecer'
muito linndo ! Parabéns !