- Doutor, o que é pra ser feito no coração dessa jovem?
- Colocaremos uma proteção... À prova de mágoas, saudades e indiferença.
- E no coração desse jovem ao lado dela?
- Não sei o que fazer só olhando-o assim por fora. Me parece tão calmo, como se nada o afetasse!
- Certo, doutor Tempo. Por onde começamos?
- Eles estão com as mãos unidas?
- Sim. Um em cada maca, mas com uma das mãos dada ao outro.
- Hum! Comece separando-os.
- Mas doutor, eles disseram um ao outro que não iriam se distanciar.
- Faça o que eu disse.
- Certo. E agora?
- Leve-a daqui...
E assim que o enfermeiro Destino foi levando a garota para longe do garoto, o coração dela entrou em disparada e ainda que desacordada, as lágrimas banharam seu delicado rosto...
- Doutor, o coração da menina disparou!
- Apenas leve-a embora.
- E quanto ao rapaz?
- Deixe-o aqui comigo. Ainda não reagiu! Vai demorar para sentir que ela se foi. Mas depois que sentir, aí sim eu saberei o que fazer no coração dele.
- E qual o nome dele?
- Escreva aí: Sozinho da Silva.
15 de outubro de 2008
11 de outubro de 2008
Primavera para canhotos
Soundtrack: Ingrid Michaelson - Keep breathing
Ultimamente me tornei canhota. Tenho usado mais meu lado esquerdo em meus afazeres... Se pensas que tenho escrevido com a mão esquerda, se engana! Tenho utilizado meu coração. E não só porque hoje, ao caminharmos, nossa sombra já não se faz mais uma. Uso meu coração hoje como sei que você também faria. E usando meu coração, faço o que posso pra te entender, mas deixe que eu te ame. Deixe que eu não te ame, ainda que por alguns momentos. Deixe que eu me sinta feliz só por estar ao seu lado. Deixe que eu não queira estar ao seu lado, por não poder me mostrar por inteira. Deixe que eu pense que tinha que acontecer. Deixe que eu não queira assim. Deixe que eu te aceite como cobertor, como neve gelada. Deixe que eu te queira em tudo que você ainda se faz ausente...
Uso meu coração hoje para te falar por palavras. Uso meu lado esquerdo para te sentir, viver... Pois não há porque se colocar uma pedra nos meus sentimentos. Da pedra, logo nasceriam flores, afinal, é primavera. E pra quem realmente tem o coração do lado esquerdo, todo dia é!
6 de outubro de 2008
Morar-te
Soundtrack: Goo Goo Dolls - Iris
Hoje o sentimentolices deixa de lado suas tolices e se enche de sentimento puro e verdadeiro. Hoje e não só hoje, as lágrimas caem sobre meu rosto e, ainda que incessantemente, não me lavam. Hoje não se fazem personagens, não se caem máscaras, não se bastam finais felizes. E quem dera se como nos textos desse blog, na vida também bastasse escrever. Escrever eu faço bem, escrever é fácil. Juntar palavras sobre o que as pessoas gostam de ler é simples, tá na alma. Mas na vida não é assim. Na vida é mistura! Sentimento, vontade, derrota, sonho, tudo isso pra se viver.
Uma coisa que nunca fiz bem é esquecer. Assim como acho que esses textos daqui os tocam daí, as coisas do mundo facilmente passam a fazer parte de mim e neste exato momento, mesmo com tanto conhecimento, com uma vida em que não há do que se reclamar, me sinto só. Faz tempo que não me sinto assim. Acho que a ultima vez foi quando minha mãe saiu no meio da tarde e eu dormi ajoelhada na beirada da cama, esperando ela voltar. Quando acordei, ainda ajoelhada, a casa estava escura e eu achei que tinha passado dias ali dormindo. Achei que tinha ficado sozinha! Mas alguns minutos depois minha mãe saiu do meio da escuridão dizendo que não teve coragem de me acordar. Ela voltou. Mas nem sempre os outros voltam.
Nessa história que aqui conto hoje o verbo de entrada é o "tornar-se". É não imaginar que as coisas chegam a tomar tão grande tamanho, não imaginar que, ao mesmo tempo, você se torna totalmente diferente pro outro. Assim como a folha "torna-se" seca, o "tornar-se" é impossível de impedir. E no final, só existe um culpado e o nome dele é tempo. O tempo que passou rápido demais, o tempo que faltou, o tempo que deixou a saudade.
Hoje me sinto mais parte desse blog, minhas palavras não me abandonam. Hoje reconheço que ver alguém, não é só olhar! Hoje reconheço o poder da palavra: passado. Mas não reconheço ainda o "tudo passa"...
Pra você, não é necessário enrolação, por isso termino com o verbo do final de toda essa história de hoje (e se posso dizer, de sempre): amar. Amar você, o suficiente por nós dois...
20 de setembro de 2008
Piedade
Soundtrack: Jimmy Eat World - Hear you me
Partiu meu amor. Hoje ele decidiu me abandonar. Foi assim, eu acordei com as vistas escuras, cansadas, levou-me o olhar. Foi assim, acordei sem sensação de ter sonhado, sobrou só aquela de um sono veloz, levou-me num sopro. Foi assim, acordei sem noção da hora, levou-me o relógio elétrico da beira da cama. E o solar, porque o Sol se escondeu. Foi assim, acordei sem sorte, batendo na quina do criado, chutando o pé do sofá, levou-me o fado de viver. As paredes viraram reflectores de cinema, rodando filmes em preto e branco, levou-me a cor, mas deixou os filmes na cabeça. Nem procurei saber se também rasgou o que era meu, os retratos, os guardados, os usados. E eu usada! Cara suja de mágoa, mas sem nem uma lágrima. Foi assim, não sei o que se deu, se foi ele, se fui eu. Foi assim, desse jeito, acordei sem música, levou-me todas as notas. E levando todas as notas fiquei assim, sem rima.
Em cima da mesa, o meu coração batendo fraco e já com o coração na mão ouvi bem lá de dentro a mensagem deixada: não tive coragem de levar, bota no teu lugar que tudo passa. E colocando-o de novo no peito eu decerto, desertei!
9 de setembro de 2008
Primário
oi,
até pensei em dizer que aceito tomar sorvete com você, mas ontem a minha mãe me disse que amar é dizer não também.
beijo!
até pensei em dizer que aceito tomar sorvete com você, mas ontem a minha mãe me disse que amar é dizer não também.
beijo!
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